Casal é condenado por injúria racial e agressão contra mulher nordestina no Paraná
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Mulher é agredida em Quedas do Iguaçu
Ministério Público do Paraná
Geovani Gonçalves e Patrícia Cristina Korgenievski foram condenados pela Justiça por injúria racial e lesão corporal após ofenderem e agredirem uma mulher nordestina em Quedas do Iguaçu, no oeste do Paraná. O crime aconteceu em outubro de 2022, depois de uma discussão motivada por divergências políticas em frente a uma distribuidora de bebidas no centro da cidade, segundo o Ministério Público do Paraná.
Segundo a sentença, o homem e a mulher passaram a atacar a vítima, Liduina Paula da Silva, de 32 anos, com ofensas xenofóbicas e agressões físicas. Durante a discussão, o homem disse que a mulher deveria “voltar para o Nordeste”, afirmou que pagaria a passagem dela e fez comentários depreciativos sobre sua origem. Em seguida, o casal iniciou as agressões.
A defesa do casal informou em nota que interpôs recurso de apelação à decisão. Acrescentam ainda que a sentença ignorou as provas que provam a inocência dos acusados.
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Agressões e ofensas xenofóbicas
Em entrevista ao g1, Liduina relatou que foi abordada pelo casal, que questionou sua presença na cidade por ser nordestina. Ela contou que foi chamada de pobre e ofendida repetidamente, além de ameaçada.
“Fui abordada por um casal, eles vieram até mim perguntando de onde eu era o que estava fazendo na cidade deles sendo eu uma nordestina [...] Eles queriam me tirar de lá e levar até a rodoviária dizendo que pagariam minha passagem, mas que eu deveria ir embora da cidade deles”, relatou.
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De acordo com o processo, a mulher arremessou garrafas contra a vítima, enquanto o homem puxou o cabelo dela e desferiu socos. A vítima sofreu uma fratura na mão em decorrência das agressões.
“A esposa dele me tacou várias garrafas de cervejas e ele me deu vários socos no meu rosto. Algumas pessoas conseguiram tirar eles de cima de mim, mas ele saiu louco me procurando e falando alto no meio do povo que iria me matar”, disse Liduina.
A defesa do casal informou que a confusão foi iniciada pela própria vítima.
“As testemunhas ouvidas durante a instrução processual, provaram que a confusão foi iniciada pela própria vítima, que começou agredindo verbalmente os réus e evoluiu para agressões físicas contra a acusada Patrícia, sendo que o seu esposo Geovane interveio apenas no intuito de fazer cessar as agressões”, afirmam em nota.
Dizem ainda que o casal não praticou o crime de injúria racial contra Liduina.
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Condenações
A Justiça condenou o homem por injúria racial e lesão corporal. Ele recebeu pena de quatro anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto, além de multa.
A mulher foi condenada por lesão corporal, com pena de dois anos e seis meses, em regime aberto.
Na decisão, o juiz considerou que os crimes tiveram motivação discriminatória e que as agressões foram agravadas pelo contexto de intolerância.
Também foi determinada indenização por danos morais à vítima. São R$ 4 mil a serem pagos pelo homem e R$ 2 mil pela mulher.
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