CEO de franquia milionária é denunciado à Justiça por mandar matar diretor da própria empresa no Paraná
18/06/2026
(Foto: Reprodução) CEO de franquia com mais de mil unidades é indiciado por mandar matar diretor da empresa
O empresário Oséias Gomes de Moraes, CEO da Odonto Excellence, foi denunciado à Justiça por mandar matar José Claiton Leal Machado, antigo diretor da empresa que foi assassinado em 2022 em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Ele responde ao processo em liberdade.
Na denúncia, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) concordou com o indiciamento da Polícia Civil e argumentou que o empresário mandou matar o funcionário por medo de perder o controle da Odonto Excellence, por acreditar que o diretor estava tentando assumir o controle da rede de franquias, que possui mais de mil clínicas odontológicas no Brasil e em outros países. Relembre detalhes mais abaixo.
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Na época em que Oséias Gomes foi indiciado, a defesa dele afirmou que "a narrativa nos autos do processo é nitidamente contrária ao que está sendo ventilado" e que "Oséias foi vítima de criminosos, que estavam lhe extorquindo e visavam ganhos financeiros eternos". O g1 voltou a procurar os advogados nesta quinta-feira (18), e aguarda resposta.
Oséias Gomes (à esq.) e José Claiton Leal Machado (à dir.)
Divulgação e cedida pela família
Na denúncia criminal, o MP-PR pede que o empresário seja julgado pelo Tribunal do Júri pelo por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, consistente em emboscada. Para o crime, o Código Penal prevê pena de 12 a 30 anos de prisão.
A promotoria também solicita que o CEO pague, aos familiares da vítima, uma indenização de pelo menos R$ 1 milhão como forma de reparação pelos danos patrimoniais, psicológicos e morais decorrentes do crime.
Agora, a denúncia foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que avalia o documento para decidir se torna, ou não, o empresário réu por ser o mandante do assassinato.
O advogado Tainan Félix Laskos, que representa a família a família da vítima e é assistende acusação no caso, considera que a denúncia criminal representa "um marco importante na busca pela responsabilização do réu".
"Trata-se de um passo fundamental para que a verdade seja plenamente esclarecida e para que a sociedade tenha uma resposta à altura da gravidade dos acontecimentos. Durante todo esse período, familiares e amigos de José Claiton conviveram com a dor irreparável de sua perda, ao mesmo tempo em que aguardavam que as instituições cumprissem seu papel constitucional. A formalização da acusação reforça a confiança de que ninguém está acima da lei e de que a Justiça deve alcançar todos que tenham participado ou contribuído para a prática do homicídio".
Relembre o caso:
Polícia divulga fotos de pastor foragido acusado de intermediar o assassinato
Quem é o empresário Oséias Gomes
Investigação conclui que empresário mandou matar funcionário por medo de perder controle da empresa
O que diz a denúncia
Na denúncia feita à Justiça, o Ministério Público afirma que o crime foi praticado por motivo torpe, consistente em vingança decorrente de "graves conflitos societários e empresariais".
A promotoria afirma que Oséias se recusou a cumprir uma suposta promessa antiga de tornar José Claiton sócio da Odonto Excellence e, em represália, o diretor abriu clínica própria e concorrente, o que acirrou a animosidade entre ambos.
O MP também cita que o conflito se agravou ainda mais diante da suspeita de que José Claiton estaria se aproveitando do processo de divórcio entre Oséias e a então esposa dele, que era sócia-proprietária da empresa, para assumir o controle das ações dela na empresa. A ideia seria, diz o MP, Oséias da administração de sua própria empresa, fato por ele interpretado como ameaça direta ao seu patrimônio e à sua posição empresarial.
A denúncia também afirma que, para executar o crime, Oséias contou com o apoio de um pastor, que foi o responsável por contratar outros criminosos e coordenar o assassinato. Saiba mais abaixo.
Oséias Gomes de Moraes (à esq.) e José Claiton Leal Machado (à dir.)
Divulgação - Cedida pela família
O crime
A vítima era conhecida na empresa como Claus e, segundo a polícia, foi alvo de uma emboscada enquanto chegava em casa no final da tarde de 19 de abril de 2022.
Ele estava entrando com o carro na garagem, com a filha dentro do veículo, quando foi atacado por dois homens. O diretor da empresa chegou a lutar com os criminosos e sacou a própria arma para tentar reagir, mas foi rendido e morto a tiros.
"O crime foi praticado através de uma ação coordenada e planejada, executada mediante emboscada em frente à residência da vítima. O mandante teria utilizado uma rede de intermediários e operadores financeiros para viabilizar a execução, realizada por terceiros já indiciados anteriormente", aponta o delegado Luis Gustavo Timossi.
As investigações foram finalizadas em 2026, e o delegado justifica que o inquérito levou quatro anos para ser finalizado devido ao trabalho investigativo ter sido complexo, envolvendo quebra de sigilos bancários, análise de dados telemáticos (como de mensagens trocadas pelos envolvidos, por exemplo), oitivas de diversas testemunhas, entre outras diligências.
Segundo ele, no início da investigação, o nome do empresário foi citado por envolvidos, mas ainda faltavam provas concretas, obtidas apenas recentemente. À polícia, familiares de José Claiton afirmaram que, antes de ser morto, ele manifestou receio por sua integridade física e disse que tinha medo que Oséias mandasse matá-lo.
O delegado ressalta que foram identificadas transferências bancárias de contas controladas pelo investigado para as contas de operadores logísticos do crime em datas próximas ao homicídio, somando valores utilizados para o custeio da operação e pagamento dos executores, e que antes morrer a própria vítima havia manifestado a familiares o receio por sua integridade física, apontando o CEO como o principal interessado em eventual atentado contra sua vida.
Outros cinco homens envolvidos no crime
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Polícia Civil
O delegado Luis Gustavo Timossi destaca que a conclusão do inquérito contra Oséias Gomes é fruto de uma progressão investigativa baseada em inquéritos anteriores, que apontaram a participação direta de outros cinco homens no crime, segundo a polícia:
Paulo Santos da Silva, réu por coordenar o ataque, que está foragido;
Wallax Alves da Silva, enteado de Paulo, réu por receber e repassar dinheiro aos executores do crime. Ele aguarda o julgamento em liberdade;
João Victor da Gama Cezário, réu por receber e repassar dinheiro aos executores do crime. Ele aguarda o julgamento em liberdade;
Douglas Roberto Ferreira, que chegou a ser indiciado por executar o assassinato junto a Diones, mas não será julgado porque foi impronunciado (a Justiça entendeu que não há provas suficientes). Ele está foragido por outros crimes;
Diones Henrique Rodrigues Raimundo, que foi condenado por executar o crime e está preso.
O g1 tenta identificar as defesas dos envolvidos.
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